sexta-feira, 1 de julho de 2016

A Partícula Proustiana.

E aí que a partícula Proustiana que habita em mim - herança dos meus dias antigos - me invade quase que com uma preguiça de d(es)crever tamanha minúcia de sentimentos.

Tudo fica tão íntimo -  tão perto - dos segredos da minh'alma. 


VOU TENTAR: Assim como o microscópio está para a célula e lá vejo uma imensidão de possibilidades, minha consciência lateja de satisfação ao mergulhar num pedacinho de céu de Proust...Mais ou menos a sensação de uma estrela cadente humana. 


Não sei se vcs se deliciarão como eu com o bendito pedacinho de céu, mas... vou deixar ele de brinde:






'' Os dias antigos recobrem a pouco e pouco os que os precederam, e ficam por sua vez sepultados sob os que se lhes seguem. Mas cada dia antigo ficou depositado em nós como numa biblioteca imensa, onde há dos mais belos livros antigos, um exemplar que sem dúvida ninguém irá pedir jamais. No entanto, basta que esse dia antigo, atravessando a translucidez das épocas seguintes, venha à superfície e se estenda sobre nós cobrindo-nos totalmente, para que logo, por um momento, os nomes retomem o seu antigo significado, os seres o seu antigo rosto, e nós a nossa alma de então, e sintamos, com um sofrimento vago mas que se tomou suportável e não há-de durar muito, os problemas há muito tornados insolúveis e que tanto nos angustiavam então. O nosso «eu» é feito da sobreposição dos nossos estados sucessivos. Mas essa sobreposição não é imutável como a estratificação de uma montanha. Levantamentos contínuos fazem afluir à superfície camadas antigas.''

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